704 anos da morte de Jacques Bernard de Molay e 900 anos da Ordem do Templo

18 de março de 2018.

Queridos e amados + Fraters e + Soros,

Hoje para nós é um dia muito importante. Dia em que Jacques Bernard de Molay entregou a sua vida para que os segredos e mistérios da Ordem do templo fossem preservados.

Esperamos poder contribuir um pouco com este trabalho para o entendimento maior de todos, nas comemorações dos 704 anos da morte do Grão-Mestre Jacques Bernard de Molay.

Este ano tem um sentido duplamente especial para nós, a Ordem do Templo completa 900 anos de existência.

Nossa intensão é não é apenas mostrar a parte dolorosa do ocorrido naquela fatídica tarde de 18 de março de 1314 quando às margens do Rio Sena, em Paris – França, o Grão-Mestre fora queimado vivo ao lado de outros Irmãos. Mas, também, mostrar a parte engrandecedora da Ordem do Templo diante dos acontecimentos.

Não pretendo dizer com isso que como Mestre Templário e Legado Magistral, representante do Grão-Mestre Dom Fernando Campelo Pereira Pinto de Sousa Fontes, eu seja um expert sobre a vida e morte de Jacques De Molay, mas, apenas, alguém que ao longo da vida Templária ganhou uma visão compartilhada por muitos da alta hierarquia da Ordem, dentro e fora do Brasil.

Lembro aqui as palavras do Grão-Mestre Jacques De Molay: “Nossas funções excedem em muito a mera proposta de divulgar e defender os princípios da fé cristã”, pois caminhamos por caminhos estreitos que conduzem o homem à sua transformação em filho de Deus.

Para muitos poucos estudiosos e, para poucos mais estudiosos sobre a história da Ordem do Templo, entre as colunas do Templo e fora delas, o ocorrido em 1314 que resultou na morte do Grão-Mestre tem dupla interpretação.

Os primeiros acreditam que sua morte foi uma crueldade e que ainda hoje clama por justiça, visto que o objetivo de seus algozes foi o de se apossarem das riquezas da Ordem. Em parte, estes estão certos, pois, esta foi a intensão do Rei Felipi IV – o Belo, em comunhão com o Papa Clemente V, por dois motivos conhecidos: O primeiro, pelo fato do Rei da França encontrar-se falido e dever muito dinheiro a Ordem do Templo e não ter como pagar, vindo daí a ganância do monarca; Por outro, o Papa Clemente V, refém do Rei, também assistia a Ordem derrubar certos conceitos da Igreja de Roma que aprisionava os seus fiéis através de dogmas e preceitos utilizados para lhes subtrair contribuições e garantir-lhe o poder.

Hoje, tais fatos são reconhecidos pela própria Igreja de Roma, quer através dos documentos de Chinon, descoberto pela pesquisadora Barbara Frale e publicado pelo Vaticano, em 2006, os quais, comprovam a inocência dos Templários das acusações que lhes foram feitas, e, também pelo pedido de desculpas público feito pelo Papa, face aos crimes cometidos pela Igreja no período Medieval o qual foram mandados para as fogueiras da Inquisição muitos inocentes que se contradiziam à Igreja, ou não seguiam cegamente aos seus preceitos.

Sabe-se que a Ordem possuía na ocasião do Golpe que fora impetrado contra ela, cerca de 9 mil propriedades espalhadas pela Europa, milhares de homens bem treinados, uma rede de informações internacional das mais precisas da Terra em toda a sua história e, mais do que isso, o próprio Grão-Mestre teria avisado ao Papa meses antes sobre a pretensão do Rei, da mesma forma que havia se reunido meses antes com a cúpula da Ordem para anunciar a trama que estava sendo arquitetada e preservar os seus segredos.

Diante desses fatos, é possível que muitos se perguntem: Porquê a Ordem do Templo não revidou e acabou com a monarquia da França com o apoio do próprio povo francês insatisfeito com aquele monarca? Porque não matou o Rei e seus soldados? Como provar que a Ordem sabia de tudo que ia acontecer e não fez nada para evitar?

A resposta é clara, pois, se a Ordem tivesse massacrado o rei e seus asseclas, 900 anos depois, não continuaria sendo um símbolo de dignidade e honra, mas, de crueldade e de extermínio.

É fácil comprovar que os dignatários da Ordem sabiam do que estava para acontecer, prova disso é que a única coisa seus algozes conseguiram se apossar foram os bens imóveis, as propriedades, plantações, animais e coisas do gênero. Quanto ao tesouro Templário, este continua sendo uma incógnita para todos através dos tempos, visto que assim como a Ordem protege os seus segredos e mistérios, continua protegendo as relíquias das quais é a guardiã.

Sabe-se que os tesouros da Ordem com todas as suas relíquias foram retirados por embarcações Templárias através do porto de La Rochelle, partindo dali para vários lugares do mundo e, apenas altos dignatários da Ordem e os guardiões, sabem onde estes se encontram, mas... isso não vem ao caso no momento e nem o terreno é próprio para tratar desse assunto.

A missão da Ordem foi e continua sendo a de continuar a missão pela qual Nosso Senhor Jesus Cristo veio à terra, a de fundar o verdadeiro reino de Deus na terra, ou seja, o reino da consciência, onde o espirito humano pudesse se aperfeiçoar pelo conhecimento sagrado e atingir o estágio de perfeição para poder se tornar um espírito de luz. Um reino onde a única religião seria a verdadeira Irmandade. A religião de um único e verdadeiro Deus. A religião onde todos os homens fossem irmãos e não precisassem se matar uns aos outros por causa de crenças diferentes, por vontade de poder ou cobiça de bens materiais. Nossa Ordem, da forma como São Bernardo a pensou, deveria ser uma cavalaria feita de homens viris, piedosos, sinceros, humildes e sobretudo virtuosos.

Como bem disse Jacques De Molay na reunião reservada com a alta cúpula mundial da Ordem realizada meses antes da tragédia da Ordem do Templo: “A Cavalaria Templária é, antes de tudo uma Cavalaria Espiritual. Ela combate por uma fé e por uma missão. Enquanto estávamos na Terra Santa tínhamos o dever de lutar pela posse dos lugares onde Cristo viveu e morreu. Mas depois de tantas guerras, tanta matança, tanta barbaridade cometida em razão de uma falsa fé, nossos líderes descobriram que não estavam dando suas vidas nem derramando seu sangue por uma causa justa. Por que não estavam, de verdade, lutando pelo verdadeiro Cristo, mas, sim, por uma doutrina falsa, urdida por pessoas ambiciosas que só queriam o poder temporal e as riquezas materiais. E para isso usavam o nome de Cristo, como se essa fosse à vontade dele”. Sabemos que esta nunca foi a vontade do Cristo pois seu principal ensinamento sempre foi “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” o que ainda hoje é pouco entendido ou praticado por muitas religiões que se dizem Cristãs.

Vimos então que Jacques De Molay já sabia das intenções do rei e havia comunicado ao Papa, vimos que a Ordem tinha como neutralizar a ação do Rei, que os Templários tinham como combater o monarca, então, porquê tudo chegou ao ponto que chegou?

Certamente tais respostas não se encontram nos livros de ficção Templária, nem nas fantasias de muitos que se vestem de Cavaleiros ou Damas do Templo. Mas, são conhecidas por todos que são preparados por Deus para terem acesso aos mistérios anunciados por Jesus Cristo ao garantir: “digo os meus mistérios aos que são dignos de meus mistérios”.

Lembremos as palavras de Jacques De Molay naquela reunião privada: Nós somos os guardiões da verdade cristã. Nós sabemos quem foi o verdadeiro Jesus e o que ele, na verdade, desejou. Desejou uma verdadeira fraternidade da qual todas as pessoas pudessem fazer parte, uma fraternidade onde a única religião fosse a consciência do bom e do belo que existe em cada espírito humano, e que todos os bens da natureza que Deus colocou à nossa disposição, fossem compartilhados sem cobiça,, nem inveja. O reino de Deus é o reino da verdadeira Justiça. É o reino da tolerância. É o reino da Igualdade, da Liberdade e da Fraternidade. Esse é reino pelo qual devemos lutar. O reino que merece o nosso sangue...

Disse ainda o Grão-Mestre “O reino de Deus é um reino universal da liberdade de consciência, onde as pessoas podem escolher livremente no que acreditar e como prestar culto a Deus, que é um só; é um reino da igualdade entre as pessoas, onde todos devem ser livres para escolher onde e como viver, sem os grilhões da servidão, obedecendo apenas às leis que eles mesmos votarem; é um reino de fraternidade, onde as pessoas se reconhecem como irmãos e se ajudam uns aos outros”. Depois dessas palavras Jacques De Molay pediu para que fossem queimados os livros e, desde então, só os guardiões tem acesso aos ensinamentos reservados e, mesmo assim, na medida em que vão sendo preparados para que sejam repassados aos demais.

Vemos assim que no momento em que a Ordem deixou-se ser traída, o fez para preservar o maior de todos os tesouros da humanidade que é a fonte do saber infinito, capaz de transformar todo homem que a ela se dirige em busca da Água Viva e do Pão da Vida que são capazes de os transformar em senhores de si mesmo.

O homem passa toda a sua vida em busca de respostas: De onde eu vim? Para que eu vim? Para onde eu vou? E, não foi, não é e, nunca será através do acumulo de bens materiais que ele descobrirá tais respostas libertadoras. Da mesma forma que tais respostas não são coletivas, mas, individuais pois, de nada adianta um conhecer e fornecer aos demais.

Disse Jesus “o reino de Deus está dentro de vós” e disse mais: “vós sois o Templo sagrado do espírito”, portanto, cabe a cada um encontrar esta fonte inesgotável de saber infinito em si mesmo, fonte essa capaz de dar ao homem as respostas para estas e outra perguntas.

Na Ordem primitiva, nem todo Grão-Mestre podia acender aos níveis e Graus mais altos do Esoterismo Templário, visto que ele deveria ser antes de tudo um Guerreiro, o que confunde a muitos desinformados que acham que ter altos graus é ter determinados conhecimentos.

O Templo sempre teve duas Ordens, uma de recepção onde se dá o ingresso na Ordem, sem muitas luzes especiais nas cerimônias. A segunda se tem acento muitos anos mais tarde e está reservada a poucos, ou melhor dizendo aos que trabalham para o seu renascimento e ganham a consciência do Non Nobis Domine Non Nobis Sed Nomini Tuo da Glóriam, ou seja, de que toda a honra e glória devem ser dadas a Deus e não a si mesmo.

Pois bem, quando Jacques De Molay retorna a Europa, deixa de ser um Guerreiro para se tornar um Monge, cabendo a ele o compromisso de guarnecer e proteger os conhecimentos Esotéricos da Ordem, seus segredos e mistérios, dando a si mesmo em martírio e morte.

Se queremos saber como tudo aconteceu é preciso entender que alquimicamente nossa vida é uma forja, uma provação onde o fogo do espírito queima as escórias e as impurezas como o orgulho ou a inveja, para deixar só o ouro puro, ou seja a nossa qualidade Divina.

É o fogo do espírito que realiza a purificação em nós mesmos.

Quando se é iniciado na Divina Presença Crística é possível ouvir os ritmos eternos da Criação e sentir suas vibrações em si mesmo.

Quando o homem entende que o sentimento de unidade é, quem sabe, a percepção mais alta do momento evolutivo. Quando toma consciência de que é parte de Deus, adquire certo poder sobre a sua própria existência e, esta foi a grande descoberta do Guerreiro Jacques de Molay que o transformou em Monge. Não se pode separar Deus de sua criação, de suas criaturas. Deus é o todo, no todo. É o espírito e a matéria.

O Grão-Mestre descobriu que o curso da vida na Terra deve estar marcado pela ascensão espiritual, que este é o verdadeiro caminho da evolução, é o Sendeiro do Graal e que todos os demais, profissão, riqueza, fama, etc., são secundários, já que não serão nada dele. Muitas coisas são meras vaidade. Finalizando lembro que o valor de nossa vida se mede só pelo progresso realizado em nossa ascensão até o espírito. Viva Jacques Bernard De Molay! Viva a Ordem dos Cavaleiros Templários! Viva Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus!

Que a paz de Deus, de Nossos Senhor Jesus Cristo, do Divino Espirito Santo e da Virgem Maria Santíssima estejam hoje e sempre convosco.

S.E. Fr. +++ Albino Neves

Mestre Templário

Gran Prior do Brasil

Magnus Oficiallis - OSMTH-Porto

Legado Magistral - OSMTH-Porto